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Enquanto a ignorância e sede pelo poder não forem extintas de nossos meios, atrocidades como a lembrada na matéria abaixo não deixarão de existir.
Devemos deixar de lado o inconformismo e o papel de os grandes lamentadores da história e fazermos nossas partes.
Vitor Jara, vítima da ditadura chilena, músico, de origem camponesa, é o personagem da matéria que segue.

El País

26/08/2004
Pinochet terá de depor sobre a morte de cantor
Ex-ditador do Chile está envolvido na execução de Victor Jara

Manuel Délano
Em Santiago

Poucos dias antes do 31º aniversário do assassinato do cantor e compositor Víctor Jara, crivado de balas pelos militares que o haviam detido, um juiz pedirá que o ex-ditador Augusto Pinochet e outros dois generais deponham para determinar quem estava encarregado do Estádio Chile, transformado em campo de prisioneiros depois do golpe militar de setembro de 1973.

Enquanto isso, o plenário de magistrados da Suprema Corte escutou nesta quarta-feira (25/08) as alegações dos advogados pela absolvição de Pinochet no caso da Operação Condor, a repressão coordenada entre as ditaduras latino-americanas contra seus adversários, e resolveu deliberar sua decisão na quinta-feira.

O juiz Juan Carlos Urrutia acolheu um pedido dos querelantes para que Pinochet e os generais Sergio Arellano e Ernesto Baeza declarem como testemunhas quem dirigia o Estádio Chile, hoje rebatizado Estádio Víctor Jara em homenagem ao compositor e cantor, para o qual foram enviados milhares de prisioneiros políticos, muitos deles torturados.

Depois que outro juiz o interrogou sobre suas contas secretas, é difícil para Pinochet recorrer a seu privilégio de ex-presidente para não prestar uma declaração que pode fazer por ofício.

Filho de camponeses e comunista, Jara foi diretor teatral, compositor e cantor. No dia do golpe militar, 11 de setembro de 1973, o autor de "Te recuerdo Amanda" e "El cigarrito" foi feito prisioneiro na universidade onde trabalhava, junto com cerca de 600 estudantes, e transferido para o Estádio Chile.

Nesse local, de que os sobreviventes ainda lembram com o horror, foi torturado e assassinado por militares que o tiraram de uma fila de prisioneiros que iam ser transferidos. No mesmo estádio, Jara escreveu seus últimos versos: "Canto, como sai feio / Quando tenho de cantar o espanto".

Por outro lado, a Suprema Corte iniciou a audiência para resolver se confirma ou não a decisão da Corte de Apelações de Santiago que absolveu Pinochet por 14 votos contra 6 de responsabilidade nos crimes da Operação Condor nos anos 70 e 80, da qual participaram oito ditaduras latino-americanas, coordenadas pela chilena.

Os advogados das partes expuseram durante mais de três horas e meia, enquanto do lado de fora do palácio de justiça cerca de cem pessoas se manifestavam contra o ex-ditador.

Parlamentares do partido do governo e advogados de direitos humanos criticaram o reconhecimento que o conselho de generais do exército fez previamente, em uma reunião interna, ao papel de Pinochet na modernização da instituição, quando se completavam 31 anos da data em que ele assumiu o comando dessa arma.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Fonte: UOL

Em breve nova matéria sobre teoria.

Escrito por *Arpejo Exótico* às 09h40
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