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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, BELA VISTA, Mulher, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Animais MSN -
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História da Musica Popular Brasileira
Os Festivais de Música Popular
Com os acontecimentos de 1964, a conscientização popular aumentou e começaram a surgir protestos de todas as áreas ligadas à cultura. Na música popular, os artistas sentiram necessidade de compor canções de cunho social e isso culminaria com os festivais, que foram, sem dúvida alguma, a mais brilhante fase de nossa música, na década de sessenta, depois do advento da Bossa Nova. O primeiro festival realizado foi o da TV Excelsior de São Paulo que aconteceu em Guarujá, durante o mês de abril de 1965 e teve como finalistas as músicas: "Arrastão", de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, interpretada por Elis Regina (1º lugar): "Valsa do Amor Que Não Vem", de Baden Powell e Vinícius de Moraes, interpretada por Eliseth Cardoso (2º lugar); "Eu Só Queria Ser", de Vera Brasil e Miriam Ribeiro, interpretada por Claudete Soares (3º lugar); "Queixa", de Sidney Miller, Zé Kéti e Paulo Tiago, interpretada por Ciro Monteiro (4º lugar); "Rio do Meu Amor", de Billy Blanco, interpretada por Wilson Simonal (5º lugar).
O enorme sucesso desse festival daria margem à realização de uma série de outros e o segundo aconteceu logo no ano seguinte, no mês de junho, tendo por finalistas: "Porta-estandarte", de Geraldo Vandré e Fernando Lona interpretados por Tuca e Airto Moreira (1º lugar); "Inaê", de Vera Brasil e Maricene Costa, interpretada por Nilson (2º lugar); "Chora Céu", de Adilson Godói e Luís Roberto interpretados por Cláudia (3º lugar); "Cidade Vazia", de Baden Powell e Lula Freire, interpretada por Milton Nascimento (4º lugar); "Boa Palavra", de Caetano Veloso, interpretada por Maria Odete (5º lugar). Ainda no ano de 1966, durante os meses de setembro e outubro, realizar-se-ia mais um festival, desta vez pela TV Record, também de São Paulo, cujas finalistas foram: "A Banda", de Chico Buarque, interpretada por Chico Buarque e Nara Leão (1º lugar); "Disparada”, de Geraldo Vandré e Theo de Barros interpretada por Jair Rodrigues, Tria Maraiá e Trio Novo (também em 1º lugar); "De Amor ou Paz", de Luís Carlos Paraná e Adauto Santos, interpretada por Elza Soares (2º lugar); "Canção para Maria", de Paulinho da Viola e Capinam interpretada por Jair Rodrigues (3º lugar), "Canção de Não Cantar", de Sérgio Bittencourt, interpretada por MPB-4 (4º lugar); "Ensaio Geral", de Gilberto Gil, interpretada por Elis Regina (5º lugar).
Em 1967, realizou-se no Teatro Paramount, o III Festival de Música Popular Brasileira, o mais famoso entre todos registrados no Brasil, o que maior sucesso alcançou e o que maior número de compositores novos deu à música popular. Foram suas finalistas: "Ponteio", de Edu Lobo e Capinam interpretada por Edu Lobo, Marília Medalha e Quarteto Novo (1º lugar); "Domingo no Parque", de Gilberto Gil, interpretada por Gilberto Gil e Os Mutantes (2º lugar); "Roda Viva", de Chico Buarque, interpretada por Chico Buarque e MPB-4 (3º lugar); "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso, interpretada por Caetano Veloso e Beat Boys (4º lugar); "Maria, Carnaval e Cinzas", de Luís Carlos Paraná, interpretada por Roberto Carlos e O Grupo (5º lugar). Durante os meses de novembro e dezembro de 1968, acontecia no Teatro Record o IV Festival de Música Popular Brasileira, que teve como vitoriosas do júri especial e do júri popular, respectivamente: "São Paulo, Meu Amor", de Tom Zé, interpretada por Tom Zé (1º lugar); "Memórias de Marta Saré", de Edu Lobo e Gianfrancesco Guarnieri, interpretada por Edu Lobo e Marília Medalha (2º lugar); "Divino Maravilhoso", de Caetano Veloso, interpretada por Gal Costa (3º lugar); "Dois Mil e Um" de Rita Lee e Tom Zé, interpretada por Os Mutantes (4º lugar); "Dia da Graça", de Sérgio Ricardo, interpretada por Sérgio Ricardo e Modern Tropical Quintet (5º lugar); "Benvinda", de Chico Buarque, interpretada por Chico Buarque (1º lugar); "Memórias de Marta Saré" (2º lugar); "A Família", de Chico Anísio e Ari Toledo, interpretada por Jair Rodrigues (3º lugar); "Bonita", de Geraldo Vandré e Hilton Accioly, interpretada por Trio Maraiá (4º lugar); "São Paulo, Meu Amor" (5º lugar).
O V Festival de Música Popular Brasileira, mais uma produção da TV Record, deu-se em novembro de 1969 e nele se classificaram: "Sinal Fechado", de Paulinho da Viola, interpretada por Paulinho da Viola (1º lugar); "Clarisse", de Eneida e João Magalhães, interpretada por Agnaldo Rayol (2º lugar); "Comunicação", de Hélio Mateus e Edson Alencar, interpretada por Vanusa (3º lugar); "Gostei de Ver", de Eduardo Gudin e Marco Antônio da Silva Ramos, interpretada por Márcia e Originais do Samba (4º lugar); "Monjolo", de Dino Galvão Bueno e Milton Eric Nepomuceno, interpretada por Maria Odete (5º lugar). Paralelamente aos festivais nacionais de música popular, aconteciam, desde 1966, os festivais internacionais da canção popular, nos quais a música popular brasileira teve participação destacada. No Primeiro Festival Internacional da Canção Popular, realizado em 1966, "Saveiros", de Dory Caymmi e Nelson Mota interpretados por Nana Caymmi, ficaria com o 1º lugar; Em 1967, no II FIC, o 1º lugar seria de "Margarida", de Gutemberg Guarabira, interpretada por Gutemberg Guarabira e Grupo Manifesto; o 2º lugar ficaria para "Travessia", de Milton Nascimento e Fernando Brant, interpretado por Milton Nascimento e "Carolina", de Chico Buarque, interpretada por Cynara e Cybele, classificar-se-ia em 3º lugar.
Em 1968, no III FIC, "Sabiá", de Chico Buarque e Tom Jobim, interpretada por Cynara e Cybele e "Caminhando", de Geraldo Vandré, interpretada por Geraldo Vandré, arrebataram, respectivamente, os 1º e 2º lugares. Nos festivais internacionais seguintes, realizados até 1972, as primeiras colocações também ficaram para as músicas brasileiras, como acontecia desde 1966, quando da realização do primeiro da série. Com exceção deste, os demais festivais internacionais da canção foram produzidos pela TV Globo, que anos mais tarde reviveria, com o Festival Abertura, realizado em 1974, e, depois, com os festivais da canção dos anos oitenta, aquele clima inesquecível, que marcou uma época gloriosa da história da música popular brasileira.
Escrito por *Arpejo Exótico* às 11h55
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O Movimento Tropicalista
Quando se realizou o III Festival de Música Popular Brasileira, produzido pela TV Record, apareceram várias composições que tiveram enorme êxito junto ao público brasileiro e entre elas estavam "Domingo no Parque", de Gilberto Gil e "Alegria, Alegria", de Caetano Veloso, que seriam o carro-chefe do tropicalismo, surgido "mais de uma preocupação entusiasmada pela discussão do novo do que propriamente como movimento organizado". Segundo Celso F. Favaretto, em seu livro "Tropicália - Alegoria, Alegria", "o procedimento inicial do tropicalismo inseria-se na linha de modernidade: incorporava o caráter explosivo do momento às experiências culturais que vinham se processando; retrabalhava, além disso, as informações então vividas como necessidade, que passavam pelo filtro da importação. Este trabalho consistia em redescobrir e criticar a tradição, segundo a vivência do cosmopolitismo dos processos artísticos, e a sensibilidade pelas coisas do Brasil.
O que chegava, seja por exigência de transformar as linguagens das diversas áreas artísticas, seja pela indústria cultural, foi acolhido e misturado à tradição musical brasileira. Assim, o tropicalismo definiu um projeto que elidia as dicotomias estéticas do momento, sem negar, no entanto, a posição privilegiada que a música popular ocupava na discussão das questões políticas e culturais. Com isto, o tropicalismo levou à área da música popular uma discussão que se colocava no mesmo nível da que já vinha ocorrendo em outras, principalmente o teatro, o cinema e a literatura. Entretanto, em função da mistura que realizou, com os elementos da indústria cultural e os materiais da tradição brasileira, deslocou tal discussão dos limites em que fora situada, nos termos da oposição entre arte participante e arte alienada. O tropicalismo elaborou uma nova linguagem da canção, exigindo que se reformulassem os critérios de sua apreciação, até então determinados pelo enfoque da crítica literária. Pode-se dizer que o tropicalismo realizou no Brasil a autonomia da canção, estabelecendo-a como um objeto enfim reconhecível como verdadeiramente artístico." "Tropicália", de Caetano Veloso, é um autêntico exemplo da verdadeira revolução operada na estrutura letrista da canção popular e da necessidade de se reestudar então os critérios de avaliação e compreensão da nova linguagem utilizada.
Em confronto com a Bossa Nova, o tropicalismo teve como preocupação principal os problemas sociais do país, aliada a uma ideologia libertadora, a um inconformismo diante da maneira de viver do povo brasileiro, o que gerou uma crescente onda de participação popular, em face dos agravantes problemas por que sofria a nação. Já a Bossa Nova quis mostrar uma nova concepção musical, calcada na versatilidade que a música brasileira oferece. Os responsáveis diretos pelo tropicalismo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Tom Zé, Rogério Duprat e outros, sem dúvida alguma, deram um salto a mais na modernização da música popular, buscando formas alternativas de composição e explorando uma concepção artística de mudança radical, dentro de um clima favorável. Foi impressionante sua importância nesse sentido, pois, sendo o último grande movimento realizado no país, deixou marcas que seriam cultivadas com o amadurecimento de seus próprios criadores e daqueles que seguiram sua linha de pensamento.
A Influência da Censura na Música Popular
Em 1968, o Brasil estava tomado por um clima de agitação e as músicas de protesto se afirmavam, denunciando as constantes crises por que passava o país. Caetano Veloso lançou mão da oportunidade que tal situação proporcionava e compôs "É Proibido Proibir", em que contestava toda a estrutura vigente. Geraldo Vandré seria expulso do território nacional por causa de "Caminhando" e a insatisfação se generalizava rapidamente. Em Salvador, essa insatisfação culminaria com uma revolta estudantil e a violência da repressão de que foi vítima a classe, por parte das autoridades, faria germinar em todo o povo uma profunda consciência da realidade. A impressão que se tinha era que uma guerra civil estava prestes a acontecer. A 13 de dezembro, com uma medida que visava a defender a Revolução e a manter, de qualquer maneira, a soberania nacional, o governo baixou o Ato Institucional nº 5, anunciado pelo então ministro da Justiça, Gama e Silva. A censura tornou-se muito rigorosa e os nossos melhores artistas tinham suas boas músicas proibidas. Chico Buarque foi um dos mais atingidos, tendo, nessa fase, trinta e três de suas letras censuradas. Isso o levou a compor, em forma de canção, um desabafo, em que destilava sua revolta. Trata-se de "Fica", em cujos versos se lê: "Diz que eu não sou de respeito, diz que não dá jeito, de jeito nenhum/ diz que eu sou subversivo, um elemento ativo, feroz e nocivo ao bem-estar comum".
A condição de se fazer música no Brasil estava cada vez mais difícil e a solução encontrada por muitos músicos foi sair do país. Chico Buarque foi para Roma, Edu Lobo foi para os Estados Unidos e Sérgio Ricardo seguiu para o México. Com a posse na Presidência da República por Emílio Garrastazu Médici, o Brasil passou a viver o que se chamou de "milagre brasileiro". A Transamazônica tornou-se realidade, conquistou-se a Copa do Mundo, no México, e, aproveitando-se desse instante mágico de deslumbramento da nação, o governo incentivou uma campanha nacional de ufanismo com frases como "Brasil, ame-o ou deixe-o", "este é um país que vai pra frente", etc. Na música popular, foram gravadas e muito executadas músicas ufanistas como "Eu Te Amo, Meu Brasil", de Don. Infelizmente, esse foi um período crítico de nossa música, pois a repressão nos havia privado do talento artístico de nossos mais brilhantes compositores.
Escrito por *Arpejo Exótico* às 11h52
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O Ressurgimento dos Festivais
A Partir de 1980, seriam revividos pela Rede Globo os festivais de música popular, que tanto sucesso haviam feito nos anos sessenta e início dos setenta. A reativação dos festivais objetivou trazer ao grande público o que de melhor estava acontecendo na música popular e já em 1980, despontaram Raimundo Sodré, com "A Massa"; Eduardo Dusek, com "Nostradamus"; Amelinha, com "Foi Deus quem fez você", de Luiz Ramalho: Sandra Sá, com "Demônio Colorido"; Fátima Guedes, com "Mais uma boca", entre outros. A campeã "Agonia", de Mongol, lançou o intérprete e também compositor Osvaldo Montenegro. "Porto Solidão", de Zeca Bahia e Gincko, consagrou o cantor Jessé como o melhor intérprete. Nos eventos subseqüentes, novos artistas foram lançados, contudo bem poucos parecem conseguir permanecer por muito tempo no agrado do gosto popular.
A Música Popular nos Anos Oitenta e Noventa
Podemos afirmar que a música popular brasileira nesses últimos anos sofreu profundas modificações, porém num sentido mais negativo que positivo. Os nossos grandes nomes ainda são aqueles oriundos dos anos 60 e 70. Em que pese à renovação constante, que passa nosso cancioneiro, com o cada dia surgindo novos artistas e predominância de ritmos novos como a Axé Music, o Pagode, o Sertanejo (ou breganejo), Funk, Rap e muitos outros os que se nos tem mostrado através da mídia é muito desalentador e nos remete a um futuro incerto. A definição musica popular ficou muito descaracterizada e desacreditada em função da anti-música que se produz nos dias atuais. De concreto mesmo ainda temos os artistas pop surgidos nos anos 80 e que por conseqüência se rotulam também de MPB, responsáveis alguns por uma parcela mais madura e moderna de nossa canção. O resto são iniciativas individuais que na maioria das vezes não chegam ao grande público devido a manipulação da mídia por uma música descartável e de péssima qualidade subestimando inclusive o bom senso popular. Infelizmente só o futuro dirá e traçará os rumos de nossa MPB, hoje tão desprezada por alguns idealistas que apostam na modificação de conceitos e ideologias sociais. Esperemos os resultados.
Instrumentação na Música Popular
Um dos efeitos provocados na música popular brasileira, no seu sentido de modernização, durante o início da década de setenta, foi a instrumentação, colocada com maior vigor nas composições, em detrimento da letra. Esse movimento tornou-se evidente com o lançamento de inúmeros conjuntos, para os quais a improvisação e a exploração do potencial instrumental eram fatores preponderantes na obtenção de uma melhor musicalidade. Como exemplo desses conjuntos, citamos os "Novos Baianos", que atribuíam maior relevância à qualidade do som, em cuja produção empregava guitarras e uma percussão excelente, exibindo assim uma nova concepção musical. Egberto Gismonti e Nana Vasconcelos são exemplos de grandes músicos que exploraram individualmente os efeitos musicais da instrumentação, realizando profunda pesquisa na diversidade de alternativas que a música popular oferece. Nana Vasconcelos encontrou toda versatilidade musical que procurava, dentro dos padrões de percussão, enquanto Gismonti preocupou-se em dar a música uma nova roupagem, adequada às suas descobertas no campo da instrumentação e experimentação. Um dos movimentos que então tomaram impulso foi o Trio Elétrico, que produz basicamente música eletrônica, na qual a letra tem papel secundário. Essa fase de instrumentação na música popular foi muito benéfica, no que se refere principalmente à modernização de arranjos para sucessos do passado, revelando-os sob nova forma.
Escrito por *Arpejo Exótico* às 11h52
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